quinta-feira, 17 de abril de 2014

SERÁ QUE ALGUEM VAI PROCESSAR O BISPO?

 O velho e carcomido costume dos nossos políticos – mirins ou adultos – é o de ameaçar com processos qualquer pessoa, seja ou não da imprensa, que critique suas atitudes indesejáveis ou traga à tona os seus podres. Sempre que um jornalista mais independente noticia qualquer ato imoral, qualquer falcatrua, qualquer deslize, lá vem a velha ameaça: “vou processá-lo por crime de calúnia ou injúria. Na  verdade, alguns que não fazem jus as calças que vestem ou a função de bem informar que são obrigados a exercer, calam, tremem na base, se borram todo. No entanto, aqueles que têm “aquilo roxo”, encaram de frente as manjadas ameaças, pouco se lixando pra elas. E olhe que tais ameaças partem tanto dos que fazem o Poder central, quanto por parte da Câmara Municipal.

Na Câmara, então, nem se fala. Lá por qualquer coisinha, os nobres representantes do povo – lá da casa deles – esperneiam, gritam, denigrem a honra dos seus críticos,  colocam-nos até adjetivos impublicáveis, mais que lá, no plenário são ditos à solta. Jornalista já foi chamado de canalha, de vendido, de calhorda, até mesmo opções sexuais já foram citadas, com representante da imprensa chamado de “mocinha”,  pois os nossos representantes – mais da casa deles do que da nossa – querem ser intocáveis, imunes às criticas, por mais justas que sejam, como quase todas o são.
Ninguém, mas ninguém mesmo pode cobrar dos senhores vereadores para que cumpram com o seu dever, que transformem em verdade, todas as mentiras que disseram em campanha, todos os juramentos falsos que fizeram todos os compromissos que assumiram.
Se alguém mais ousado tentar trazê-los à realidade, mostrar que vereador depois de eleito não tem lado; que lado político prevalece apenas durante a campanha; que depois de eleito o seu lado é o lado do povo, eles ficam amuados, zangados, sentindo-se feridos e, pensando que têm imunidade, se arvoram de uma autoridade fictícia, que pensam possuir. A grande maioria deles desconhece – não somente em Patos, é claro - que vereador apenas tem inviolabilidade no efetivo exercício da função e  nunca imunidade.  Fora disso, não passa de um cidadão comum, sujeito às leis e as intempéries, como nós outros.
Todas as críticas que têm sido feitas e que ferem a sensibilidade e a sutileza dos nobres parlamentares, são motivadas por ações pouco ortodoxas por eles mesmos praticadas, tais como curvar a espinha ante as imposições da Prefeitura, votando matérias espúrias e que comprometem a história e a conduta deles próprios, a exemplo de votar projetos sem ler, como naquele que privatizou o São João ou às pressas, como na doação de quase trinta mil metros quadrados de terrenos a uma firma totalmente desconhecida, que promete dar mil empregos, não se sabe quando,  como e  nem em que.
São críticas ainda pela inércia e a má vontade em apurar fatos que dizem respeito diretamente ao interesse da coletividade, ao emprego do erário sem critério algum, como o que se refere ao Canal do Frango, onde mais de vinte e sete milhões de reais foram gastos, numa obra que seria a redenção de meia cidade e que se esfarofou, se desintegrou, na primeira chuvinha mais volumosa que apareceu.
Má vontade em convocar o ex-prefeito Nabor, juntamente com os projetistas, bem como a firma construtora da obra, para apurar que história é essa de um canal projetado apenas para um chuva de, no máximo,  oitenta e seis milímetros num período de até quatro horas, como afirmou em programa radiofônico o próprio ex-prefeito.  Perguntar em comissão pertinente, quem foi o idiota que descobriu que em Patos só chove até oitenta e seis milímetros, quando há quatro ou cinco anos, tivemos uma de mais de duzentos. Perguntar se esses tais projetistas desconheciam essa façanha de São Pedro; se desconhecem que o santo da chuva não controla as nuvens por computador, e que sejam chamados à responsabilidade, esses que pensaram tais besteiras e os outros que concordaram com ela e autorizaram o serviço, seja o Ministério das Cidades, a Prefeitura, ou quem mais tenha sido o responsável pela equivocada autorização e respectiva edificação. O que não pode, é a nossa Câmara calar ante o clamor da sociedade, enquanto milhões de reais que deveriam ter sido empregados corretamente, o foram, apenas, no encolhimento de um riacho que, acostumado a escoar suas águas em leito mais largo,  teve estreitado o seu curso, daí transbordar e causar os prejuízos motivados pela desajustada construção. Se possível, já que têm muita força e influência, convocar também São Pedro para saber se ele, de fato, se comprometeu a mandar chuvas somente até o limite estabelecido em tal projeto citado pelo ex-prefeito em emissora de rádio e. por que, quebrou o trato e mandou cento e trinta milímetros em duas horas, ao invés de oitenta e seis, em quatro, conforme o “combinado”.
Na verdade, todas as críticas que faço aos vereadores, sinceramente as faço, na tentativa de ver os nossos edís trabalhando realmente pelo povo, sem amarras, sem a demonstração de fragilidade ante o poderio da Prefeitura. Todas as críticas que faço, não tem endereço a este ou aquele parlamentar, critico a todos, ansioso por vê-los legislando para o povo, cumprindo o dever que lhes é imposto pelo voto popular que receberam. Queria vê-los – e espero ainda por isso – fiscalizando com responsabilidade e isenção o Poder Público, ajudando-o a governar, mostrando os melhores caminhos, olhando com total atenção, como é gasto o nosso dinheiro, de que forma está sendo empregado.
E, falando em críticas a políticos, sinceramente, nunca esperei ouvir de alguém o que ouvi de Don Eraldo, nosso bispo diocesano. Enquanto apenas só nós tecíamos críticas, os vereadores e outras autoridades as jogavam pra debaixo do tapete, contentando-se, apenas, em nos ameaçar com processos. O problema – pra eles – agora, é que a revolta partida de quem, mesmo não fazendo política em virtude da responsabilidade que detém, pelo alto posto que exerce, teve uma repercussão estrondosa. Patos inteira, mesmo aqueles – católicos ou não - que  não ouviram o sermão da missa das nove da manhã de domingo, ficou perplexa ante o vigor de tais palavras, reproduzidas pelas rádios locais. O nosso bispo diocesano disse tudo que o seu imenso rebanho queria ouvir. E, por ser imenso esse rebanho, deve preocupar, não somente aos nossos vereadores, mas, também, aos demais poderes, incluídos na revolta do bispo.
“Tomem vergonha na cara”. “O que ouvi foi uma cachorrada”. “Vocês se fazem de bonzinhos e usam a igreja carregando andores de santos e enterrando defuntos, mas os conheço, são políticos. “Não me procurem, com Excelência pra cá Excelência pra lá. Não se aproximem, não venham, conheço a todos, são políticos”.
Estas e outras palavras fortes até demais não foram ditas por mim, foram pronunciadas pelo senhor bispo.
E agora, vai aí um processozinho?
José Augusto Longo
(josaugusto09@gmail.com)

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