A Copa do Mundo não está movimentando só as cidades-sedes ou os grandes centros urbanos do País. O entusiasmo, a animação e o envolvimento dos brasileiros diante do grande espetáculo esportivo estão em todos os lugares, aquecendo principalmente um dos setores mais importantes para a economia popular, o comércio informal.
Em cidades pequenas do Interior, encravadas no Sertão da Paraíba, é impressionante como os artigos voltados para os torcedores como bandeirinhas, camisetas, bonés e cornetas estão vendendo e fazendo a alegria daqueles que buscam na informalidade uma fonte de renda para alimentar a família.
No município de Itaporanga, distante 420 quilômetros de João Pessoa, e com uma população de cerca de 22 mil habitantes, o comércio informal de vendas de artigos para a Copa do Mundo tem ajudado e muito aqueles que sofrem com a estiagem e a falta de recursos financeiros para o sustento da casa, por contra da crise proporcionada pela seca.
Um dos defensores dos sertanejos e que luta contra o sofrimento causado pelo clima do semiárido nordestino, o padre Djacy Brasileiro, pároco do município de Pedra Branca, a 5 quilômetros de Itaporanga, disse ao Portal Correio que está entusiasmado com o que está vendo nas ruas dos municípios do Sertão.
"Desde o início de maio, quando a Copa do Mundo se aproximava, a movimentação nos municípios começava a mudar. O próprio povo começou a ver que a paixão pelo futebol e pela Seleção Brasileira iria extravasar de qualquer jeito e a venda de artigos da Copa começava a se mostrar como uma fonte de renda e seria uma ótima oportunidade para ganhar um dinheirinho para alimentar a família", contou o padre.
Pelas ruas de Itaporanga, o vendedor ambulante conhecido como Jonatas não consegue esconder a alegria. "Graças a Deus as vendas estão muito boas. Pelo menos enquanto estiver acontecendo a Copa do Mundo, o apurado está dando para ajudar nas despesas de casa. Depois de tanto aperreio por conta da crise da seca, agora temos condições de aliviar a barra um pouco", disse, entusiasmado.
Após deixar o roçado de lado por conta da irregularidade das chuvas dessa época, ele não se arrependeu de trocar a enxada momentaneamente por um banquinho na principal avenida da cidade.
"A gente gosta da roça, mas no momento a melhor coisa é procurar uma forma alternativa de ganhar dinheiro e nessa temporada de Copa, sem dúvida, a venda desses artigos tem sido a melhor opção", explicou.
Nas pequenas cidades da Paraíba, vem sendo comum encontrar ruas ornamentadas e decoradas com os artigos da Copa do Mundo. A decoração também está estampada nas fachadas das casas, dentro dos imóveis e nas vestimentas de cada torcedor.
"É uma alegria contagiante e todo mundo fica empolgado, tanto na cidade mesmo, como nos povoados e comunidades rurais", contou padre Djacy que costuma visitar os municípios do Sertão da Paraíba e através das redes sociais mostrar as condições de vida do sertanejo que vive no semiárido.
Além do aumento na procura dos artigos oferecidos pelos vendedores ambulantes que se instalam nas ruas centrais das cidades, há quem utilize a própria residência e a transforme em um ponto de vendas. Nesse caso, a festa proporcionada pela Copa faz com que aumente as vendas até de itens de produção doméstica como picolés de saquinho, sorvete, água mineral, água de coco, cocadas e outros doces.
"Para mim, é uma felicidade muito grande vê que o povo sofrido vem encontrando uma maneira de melhorar a situação financeira e aliviar o sofrimento. Mesmo com tanta crítica e muita gente se posicionando contra a Copa do Mundo aqui no Brasil, eu percebo que o evento vem mostrando um outro lado da questão, o lado do brasileiro pobre e batalhador, que está encontrando um meio de sobrevivência e de ganhar um dinheirinho para alimentar a família", analisou.
Fonte: Por Luciana Rodrigues
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